terça-feira, 31 de dezembro de 2013

À vocês todos os sonhos do mundo!

Hoje é o último dia do ano, do ano mais singular da minha vida. Não sei descrever quantos sentimentos únicos e repetidos eu tive ao longo dos meses, mas uma coisa eu sei: eu aprendi infinitas coisas. Coisas boas, pessoas maravilhosas, coisas ruins e pessoas que eu desejaria nunca ter conhecido, mas agradeço por tudo, por cada sorriso, cada lágrima, dor, nervoso, por cada pensamento - bons e ruins -, cada briga, risada, bebedeira e doidera. Agradeço à todos que passaram pela minha vida, aos que ficaram e aos que, feliz ou infelizmente, não estão mais nela. Certas coisas na vida precisam ser rompidas.
Não posso dizer que sentirei falta desse ano, tampouco que passaria tudo de novo. As coisas não acontecem por acaso, não sei se é coisa do destino, de Deus ou, até mesmo, da sorte, mas sei que tudo na vida é por algum motivo, aprendi isso nesses 18 anos de vida. 
A vida é feita de chegadas e despedidas, começos e fins, e é nesse enlaço que conhecemos sentimentos, pessoas, vibrações e energias diferentes. Me disseram que minha vida esse ano seria diferente, mas não achei que seria tão ímpar. Deixei um mundo velho, um passado não muito distante, pra viver em um mundo completamente individual, onde aprendi a pesar e equilibrar muitas coisas, conheci muito da personalidade de muitas pessoas e até da personalidade da vida, de como ela é e de como ela nos trata quando fazemos algo certo ou errado. Não posso dizer que já conheci tudo desse meu novo mundo e da minha mais nova cidade, mas posso dizer que quero, que anseio por novas experiências, por novos sentimentos e, por fim, por novas pessoas. 
Que venha 2014, que venha mais um novo ano e que não só o ano seja novo, que eu me renove, que todos se tornem incomparáveis e que a vida traga muitas felicidades, amor, desafios e oportunidades. Um maravilhoso ano para todos! 


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Tabacaria - Fernando Pessoa