sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Frio quase europeu...

Naquela tarde, sentindo um frio quase europeu, depois de horas de labuta, ela sai para tomar um ar, sai para ver a lua e as luzes da cidade. Já não sabe em quem e em que pensar, está com a cabeça abarrotada de coisas e a única coisa que gostaria muito de fazer agora é sentar em uma cabine qualquer, mas não de uma roda gigante qualquer, e ver a cidade, observar cada centímetro daquela pintura surreal. Depois andar por um parque de diversões enorme, mas sem diversão, comprar um algodão doce simples, cor-de-rosa, para tirar aquele gosto amargo de saudade da boca, do estômago. Já não pensava mais em mudar, tampouco em se casar, suas esperanças, antes vãs, agora se tornaram tolas e totalmente perdidas. 
Não há mais uma chama acesa dentro de seu coração, seu trabalho diário já não rende e sua alimentação está escassa. O que as pessoas de hoje em dia chamam de arte? Ela se pergunta isso todos os dias, mas não há uma resposta. 

Ela sente falta dela. Sente falta daquele amor de verão, que perdurou por vários e vários verões. Mas agora não há mais verão. E em meio à esse frio, quase europeu, ela volta pra casa, contando os passos, contando os carros, decorando suas placas, adotando os cães e os gatos que encontra pelo caminho. Ah, se ela pudesse, levaria todos para casa. Mas chegando em casa, já de coração partido, com a cabeça transtornada e as mãos vazias, toma um copo d'água e vê o quanto aquele simples gesto a faz lembrar dela: ela amava beber água. Coloca o copo em cima da mesa e checa a secretária eletrônica, há um recado: Estive em sua casa, entrei. Me desculpe a intromissão, mas tive que cuidar para ver se já não havia adotado algum gato, você sabe, sua rinite alérgica não iria gostar... Gostaria de estar aí para te aquecer nesse frio quase europeu (ouve aquela breve risada contagiante dela ao fundo do telefone), mas saiba que eu...
Sim, eu também sinto sua falta, ela pensou alto. Pegou as chaves de casa, saiu e trancou a porta. Se ela esteve lá, sabia onde encontrá-la. 

Pequeno e dedicado Horácio

Foi em uma manhã deveras cômica que o conheci, sendo um tanto quanto hipócrita e dizendo que não gostava de fumantes... Ora, a vida toda convivi com fumantes, como não iria gostar de você? Foi com esse começo de conversa, tolo, que nos conhecemos e começamos a construir o que temos hoje. Ser fumante era a última característica sua que realmente importava naquele momento, o que eu realmente queria era conhecer mais a fundo aquele pequeno estranho, branco como a neve, que acabara de conhecer. No começo só um estranho comum entre muitos, agora um estranho completamente louco, intimamente misterioso e aquele que eu quero sempre aqui, pertinho de mim.
Você, com essa mente sempre a mil quilômetros por hora e esse coração sempre tão bom, me conquistou de primeira, não demorou nem vinte e quatro horas, foi assim, instantâneo, sempre sendo você. A partir de então, era a primeira pessoa que eu esperava ver todas as manhãs, com esse seu cabelo jogado, as mãos no bolso e sempre rindo de algo ou alguém, com aquela vontade de te apertar e te cuidar. 

Não sei se sabe, mas a vontade que sinto de cuidar de você é imensa, por isso nossas conversas sempre começam ou acabam com algum conselho ou algum sermão, ou com você regurgitando na minha cama e chorando rios (rs). Não, jamais deixarei você esquecer disso, por que foi a primeira vez que me deixou realmente cuidar de você, sem que você tenha que me obedecer ou me escutar, você não estava em condições. E nunca esquecerei das vezes que quis conversar comigo e me fazer de psicóloga, sinto uma falta excepcional disso. Comecei a te sentir mais devidamente louco com seus devaneios e fascínios únicos - como sua adoração por barbas, que é contagiante-, tanto quanto eu, com minhas esquisitices e fascínios estranhos - como minha adoração por cicatrizes, que é muito estranha mesmo -, e a sentir que essa amizade não é só semestral ou periódica, mas sim eterna. 

Não sei de onde surgiu aquela coragem imensa, talvez de uma simples urgência ou de uma gigantesca necessidade, mas cheguei ao limite e chorei, desabafei, precisei mais de você do que nunca e você estava lá, quieto, pensativo, assustado - eu imagino -, mas mesmo assim não me deixou, e nesse dia eu tive certeza que era só você, naquele turbilhão de emoções e pessoas que estavam me sufocando. Aquele que num momento único, viu o que eu escondia e aceitou. 
Também tenho meu jeito meio torto de amar, em um dia estou te amando muito e querendo abraços, em outro estou te ignorando por que estou me corroendo de ciúmes (rs), mas sei que você já aprendeu a conviver com isso, comigo. E agradeço. 
Menino, sua dedicação e carisma me encantaram e continuam me surpreendendo. 
De todos os loucos do mundo eu quis você, por que eu estava cansada de ser louca assim sozinha! I'll always be here, no matter what. 


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Vinte e sete de setembro.

Feliz aniversário, minha rainha!
Desejo à você tudo que existe de melhor nesse mundo: felicidade, sucesso, amor, respeito, alegria, sorrisos, coisas boas, coisas inexplicáveis, vitória! Desejo que todo o mal que existe nesse mundo, e no outro também, se afaste de você, toda inveja, fofoca, maldade, ambição, desrespeito... Tudo, tudo que existe de mal, que passe do outro lado do quarteirão!
Que você continue sendo essa pessoa íntegra, bondosa, respeitosa, maravilhosa, corajosa, forte, com o melhor coração do mundo, esse exemplo de mulher, mãe, amiga, esposa e avó; você merece muito mais do que essas meras e simples palavras, e se eu pudesse, te presenteava com a felicidade suprema, com tudo que você anseia e merece!
Você é a melhor pessoa que existe no meu mundo, e o meu amor por você é deveras importante.
Apesar de todas as circunstâncias, desejo à você um maravilhoso aniversário, e muitos, muitos anos de vida! Que você continue lutando contra as enfermidades, as situações e o mundo, que insistem em te colocar pra baixo, que você conquiste tudo, tudo!
E o que eu mais desejo, além de tudo e qualquer coisa, é que não esqueça que eu sempre estarei aqui, para o que der e vier e que eu te amo muito. Tenho muito a aprender com você e saiba que você sempre será meu exemplo, minha rainha, meu amor.
Mais uma vez, um feliz aniversário pra você, muitos anos de vida e muitas felicidades!!
Eu te amo incondicionalmente.

"Sem que você saiba
Há um anjo que te guarda
Ele guarda os segredos
Da cura e proteção.
Sem que você peça
Sempre haverá
Abrigo pro frio do inverno
A brisa na febre do verão."

Que esse anjo da guarda te guarde sempre, por que estarei aqui, todos os dias, pedindo à ele que guarde minha joia mais rara do mundo.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Caixa postal.

"Não sei se você realmente se importa ou se está ligando por certo tipo de obrigação, mas deixe seu recado, retornarei em breve..."
Mais uma vez, seu celular na caixa postal. E jamais com sua promessa cumprida, nunca me retornou. Por quê ela não me atende, nem sequer me retorna? De certa forma, ela sabe que sou eu, não sabe? E estou me martirizando, me doendo, sofrendo. Me pergunto, mais uma vez, por quê? 
Ela continua dizendo que sou eu quem ela ama, que sou eu com quem ela quer casar, que é comigo que ela quer passar o resto da vida, mas será? E se casarmos e não houver felicidade? Existe essa possibilidade.
Chega de se perguntar, não haverá resposta. Nem da parte dela, nem da parte de ninguém, porque não há mais ninguém. Apenas essa chuva, de mais um outono sem ela. Mais um de muitos, já que ela foi e não voltou.
Mas a chuva vai e vem, limpando as ruas, o ar, o rosto e o coração, levando e trazendo estações, amores. Então vem, chuva, sei que ela precisa mais de você do que eu, sei que a magoei muito mais, mas vem limpar meu coração, vem limpar meu rosto dessas lágrimas doces, vem e traga-me o inverno, traga o frio que, incrivelmente, aquecerá meu coração, traga uma nova estação e um novo amor. 
Ah, e traga-me também um café, preto, com muito açúcar, por favor.

Há quem precise de um anjo...

Te darei tudo,
minha alma, meu
coração, 
meus pensamentos,
meus sorrisos,
os mais sinceros e,
minhas lágrimas,
as mais profundas,
te darei meu braço,
meu abraço,
minhas asas...
Serei seu anjo.
Te salvarei dessa 
escuridão, 
te amarei, e
assim, sendo perfeita,
ou tentando apenas
ser sua, 
morrerei. Sim,
morrerei de dores,
de flores, de amores.                       

Sem lenço, sem documento.

- Como foi pra você ver todas aquelas cartas, sim, as que te mandei, as que você me mandou...? Todas aquelas lembranças? Não sei, talvez tenha doído, talvez não, talvez até você as tenha jogado fora, junto com aquelas rosas murchas, mortas - espero que sim-, mas realmente não sei... Se eu pudesse, não sei se eu faria tudo de novo. Acho que faria sim, sou um mero idiota apaixonado.
Ele desligou o gravador e colocou em cima da cômoda. Não sabia mais o que fazer, já não tinha seu diário, tampouco sua agenda, perdera tudo naquela inundação, tudo que escrevera, tudo que guardara, já não tinha memórias fixas para relembrar dela, apenas borrões em sua cabeça, então deitou em sua cama, já grande demais apenas para ele, e ficou tentando relembrar de todos os momentos que tivera com ela. Já não eram muitos, por que com o passar do tempo a relação deles não foi sendo a mesma, as brigas começaram a ser constantes, o ciúmes doentio e a falta que um sentia do outro começou a perturbar. Terminaram, porque ela, deveras cansada dele e de todo o amor que ele dispunha, se deu ao luxo de procurar outro. 
À referida inundação, foi apenas de sentimentos, de lágrimas, de emoções, de muitas lágrimas. Em um simples tilintar dos sinos, ele, em seu ataque de fúria, devolveu tudo à ela, todas as cartas que ela tinha mandado à ele, seu diário e sua agenda, que em cada página só cabia seu nome e o dela, todos os mínimos detalhes que fazia dessa relação única, até aquele buquê com setenta rosas que ele mandou à ela, com sete flores artificiais que só eles entendiam o enorme significado que aquilo tinha, sim, ela o devolveu, e ele devolveu, tudo de volta. 
- Agora sim, acabou. 
Ele tirou a última fita que tinha do gravador e a guardou, em meio àquelas tantas, àquelas tantas que ele nunca mais ouvira. Não tinha mais porquê, apenas dela ele sabia falar, e não queria mais.
Lacrou a caixa, com todas essas fitas, suas únicas, últimas e melhores lembranças dela e colocou no carro.
Partiu, sem rumo, sem lenço, sem documento. Sem sentimentos e com apenas um pensamento: 


Carpe Diem! 

Sim, assim, sem fim?


A vida foi indo assim,
Monótona, 
Sem fim...
E eu só queria
um amor, daqueles
que não mudaria,
que não me deixaria.
Não achei, 
difícil achar, não?
Mas a vida é assim,
muitas coisas vão
e algumas não são! 


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Inverno!

Você me faz bem...
Me olha fundo nos olhos, me dá
Aquele seu olhar,
O meu preferido e...
Me beija, me abraça, me
Acolhe! E, pedindo
Ardentemente,
Me deixa ser dona
Do seu sorriso,
Da sua risada,
Da sua admiração e,
Enfim, do seu
Coração.
Me deixa ser dona do seu
Amor, da sua saudade...
Me ame, amor!
Naquele começo
de estação, da nossa
estação: me aqueça.

Nunca em vão...


Naquele início de primavera, ele começou a sentir o fim, não só o fim do inverno, do frio doloroso, da falta de calor no coração, mas também daquele amor, daquela sensação incrivelmente boa de ter pra quem ligar de madrugada e ouvir, daquela voz deliciosamente rouca, um "eu sabia que você ligaria, eu te amo" e o suspiro de quem voltou a dormir, o fim daquelas noites mágicas de amor, de sorrisos, de beijos e carinhos.

Ele pegou a chave do carro e foi atrás dela. A primavera está aí, fazendo tudo florescer, por que não ir atrás dela e fazer o amor dela voltar a florescer também? Ele queria ela de volta, ele sabia que ela também o queria de volta... E ele foi.
Num breve suspiro, num breve adeus, ela o perdeu pra sempre. Ora, mas você não disse que eles se queriam um ao outro de volta? E que eles se amavam? Sim, não era mentira. Mas em um breve momento de insanidade, tudo aconteceu. O carro bateu, os sentimentos voaram, as lágrimas se encheram de vida e transbordaram, encheram aquele carro de tristeza, melancolia, amor. E tudo se passou brevemente em um minuto... Sessenta segundos de pura dor, pura angústia, abertamente a seus olhos, ela viu. Sofreu, chorou, doeu, morreu. Aquela dor que não cabia mais em seus pensamentos, em seu coração, em sua própria razão, ela simplesmente colocou um fim. Acabou.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Fisicamente idênticos?

Somos tão gêmeos. Não aqueles gêmeos nascidos da mesma mãe, do mesmo útero, fisicamente idênticos... Não. Nós somos aqueles gêmeos que se entendem de toda e qualquer forma, aqueles que pensam igual, falam igual, sentem igual, aqueles que mesmo distante, quando um fura o dedo, o outro sente lá de longe... Mas também somos aqueles gêmeos que, quando um quebra a cara ou parte o coração, o outro está ali pra curar e colar os pedaços. Por que somos os mesmos que machucam e curam.
Sou aquele gêmeo mal que te destrói o coração, que te deixa beijando o ar, que te excita mas te ignora, que te parte o coração e te faz quebrar a cara, fazendo-te pensar que não a amo mais. E você, aquela gêmea boa, que cura meu coração, abafa minha dor e afaga meus cabelos, que me dá um beijo terno e, ao mesmo tempo, excitante, aquela que me cuida como nem eu mesmo cuido de mim.


Somos assim, simples assim. Mas como toda contradição, uma hora trocamos de papel. Somos bons atores, deveras importante. Interpretamos bem cada papel, a mocinha e o vilão. Mas sabe qual a melhor parte de toda essa interpretação? Que não é interpretação, é apenas a realidade, a realidade em que vivemos. Amor, ainda vou te casar comigo, minha gêmea, minha rainha. E não viveremos em um conto de fadas, porque conto de fadas não existem e adivinha! Nós dois somos mais do que reais. Vem ser minha.

Caseiro!


E era minha bebida preferida, junto do meu melhor livro, com a melhor companhia, no tempo mais incerto e na estação mais linda do ano, que eu comecei a sentir. A sentir a vida, as lágrimas, o coração pulsar, a mente ferver e o corpo reagir. Menti quanto à melhor companhia, porque a solidão nunca é a melhor companhia de alguém. Mas a verdade tem sido clara comigo nos últimos dias, tem me dito coisas que eu não queria pensar, nem encarar. Minha bebida preferida também tem feito isso, esse liquido dos deuses, essa cor cheia de encantos. E aquela batida que me diz pra querer mais, que se instala nos meus ouvidos e não me deixa ouvir o barulho, as pessoas... Doce batida. Faça durar. Transcenda, transtorne, transforme. Doce, exótico, gostoso de sentir, traga coisas boas, essas tais que aquele amor não trouxe. Saúde! Brindaremos à esse doce sabor amargo, que esteve presente nos momentos mais melancólicos.

Oh, destino...

Vejam só
que ironia:
a solidão
resolveu
me fazer
companhia.

Crimes passionais...

E quando te perguntarem o motivo, você responde tudo, você inventa, faz uso de algumas mentiras, você brinca, ri, distorce, mas não conta a verdade... Isso vai doer, vai doer muito ver que ele não se importa.
Sorria, olhe bem fundo nos olhos dele e abafa um "eu te amo", ele não pode saber disso. Por quê colocar motivos e expectativas onde deve existir nada? Onde existe apenas trocas de olhares e sorrisos? E, olha só, o sorriso mais lindo e encantador que já vi. Estou me apaixonando desenfreadamente por você... Posso?
Não quero que me perguntem o motivo desse amor, o por quê dessa paixão obsessiva, dessa necessidade incalculável... Porque sim, eu fui e ainda não voltei, mas você não foi a lugar algum, em nenhum momento você deixou meu coração, tampouco meus pensamentos. Só quero que continue nele, não quero que vá embora, que me deixe, que me esqueça. Fique.


Me deixe roubar seu cigarro, um gole do seu café, um sorriso, um beijo... Me deixe cometer crimes, crimes desse tipo. Crimes passionais. Mas esconda-os, não deixe ninguém saber. Será nosso segredo. Não estarei matando, apenas me condenando. Me condenando a um amor sem fim. Sofrerei, não quero que sofra comigo, só quero que me dê um abraço pra abafar minha dor. Faria isso?