segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Não venha me dizer, meu bem...

Não venha me dizer que sua mente está conturbada, que seus sorrisos estão apagados e que seu coração está dilacerado. Por favor, não venha me dizer que seus dias estão passando rápido, que suas noites têm sido uma tormenta e que seus olhos vivem molhados. Ah, e também não venha me dizer que você não consegue viver sem mim, que você mudou, que você não está feliz e que você anda absolutamente submersa na solidão, na escuridão. Não, não, não, meu bem. Eu sei que são só mentiras, mentiras contadas em palavras vãs, mentiras contadas de um coração vazio, mas não vazio por minha total e honrável culpa, mentiras contadas de uma mente nostálgica, inerte, apática e estagnada. Estagnada em um passado em que o ar já não é mais o mesmo, as estações já não são mais as mesmas, os gostos, os cheiros, as lembranças e as situações não são mais as mesmas, tampouco eu, você e nós. Já não existe mais nós, será que algum dia existiu? Fantasia, um mundo onde podemos criar situações que vão do completo caos à plena felicidade. E eu, particularmente, não quero viver fantasias, mentiras e desordem. Não quero viver uma miserável maldição, um sofrimento deveras desnecessário. Então, mais uma vez e da maneira mais afável que posso dizer, não me procure mais para dizer mentiras, para dizer parafernálias, para me mostrar uma ilusão de uma vida que você não está vivendo, porque, bem no íntimo dos meus pensamentos, sei qual é a vida que você está levando. A única coisa que desejo, no mais profundo do meu coração e da minha verdade, é que daqui cinquenta anos você não me esqueça, não se esqueça da pessoa que mais te amou; eu poderia falar aqui das mil coisas que fiz por você e das outras mil em que fui única para você também não esquecer, mas não, prefiro que não se esqueça do essencial. E se Deus quiser e o destino conspirar a nosso favor, assim será. Se cuida daí que eu me cuido daqui a partir de agora.

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