quarta-feira, 5 de março de 2014

É na escuridão da noite...


"Olhei pra todos os lados e não vi. A única pessoa que via era aquela que eu não queria ver, aquela que só me fez mal, aquela que sempre me afetou - de um jeito, ou de outro -, aquela com qual a minha relação é estreitamente de amor e ódio, onde há uma linha tênue entre a razão e a emoção. Será que ela tem razão ou eu que sou emocional demais? Que ela me afetou, é fato, mas não foi de uma maneira boa, afável. Ela me afeta de uma maneira ruim, de tal forma que faz com que minha consciência pese dez toneladas e minhas pernas cheguem a tremer. Não sei dizer o que é isso, se são as coisas ruins pelas quais passamos ou se são as coisas horríveis pelas quais ela já me fez passar... A única coisa que eu sei é que eu a amo, infelizmente. Sim, infelizmente e com toda dor no coração, eu digo que a amo. Como não amá-la? Tenho apenas um motivo para isso, porque os outros são motivos para eu me deleitar em lágrimas e querer fazer besteiras. Mas sei que não devo, que não posso... Que não consigo.
Não estou escrevendo isso para expor sentimentos, não... Estou escrevendo isso porque não tenho ninguém no momento. Queria estar com outra pessoa agora, trocando beijos e carinhos, mas essa outra pessoa nem ao menos me considera. Uma coisa acarreta outra, e já são tantas, que não sei mais como tudo isso virou... Isso tudo. Minha cabeça está fervendo, meus olhos sangrando de tantas lágrimas derramadas, meus pulmões já não lembram do ar que eu supostamente deveria respirar e meu coração já não se aguenta mais de tantos soluços. Na verdade, tudo isso metaforicamente, porque não estou mais conseguindo chorar, nem dormir. Tenho medo. Medo de não parar mais, medo de alguma coisa acontecer e eu ter mais motivos para chorar, medo da escuridão, medo da solidão. 
O que mais me dói é que, supostamente, existe alguém nesse mundo que daria tudo pra estar comigo agora, por pior que ela já tenha me feito. E acho que esse alguém merece mais minha companhia do que essa cama vazia e esse quarto frio. 
Sei que alguém irá ler isso em breve e peço, encarecidamente, que guarde tudo isso em segredo. Não quero que outras pessoas saibam quão fraca eu sou. Sei que já aguentei muitas coisas, mas já são tantas coisas acumuladas no meu coração, na minha cabeça, que eu não sei mais como me livrar de tudo isso. 
Viver parece tão fácil. Poderia ser muito fácil, mas tem gente que simplesmente nã
o consegue viver bem, ficar bem, ser feliz. Isso machuca tanto meu coração. As vezes penso que sou uma pessoa ruim demais pra viver nesse mundo, mas será?
Acho que estou entrando em ebulição. 
Meus olhos estão tentando se fechar e eu não posso deixá-los fechar, tenho medo. Estou com sono, preciso dormir, meu corpo dói e está cansado, mas não posso deixá-lo descansar. Tenho que ficar acordada, tenho que esperar esses barulhos passarem, esses pensamentos me deixarem, a luz do sol sair, os pássaros começarem a cantar. Tenho medo, muito medo. Não queria sentir isso, não queria estar aqui sozinha.
Queria conseguir chorar pra aliviar todos esses sentimentos que estou sentindo agora, mas sei que não adiantaria. 
Não quero ser essa pessoa que eu mesma estou criando na minha cabeça. Eu preciso mudar. Preciso me libertar! Mas como? 
Dói. Dói demais. 
Estou com tanto medo essa noite. Não conseguirei dormir, então acho que irei arrumar algo pra fazer. Vou tentar ler um livro. Talvez eu volte. Talvez não." 
- Ela voltou o olhar para o espelho e encarou aqueles olhos pretos profundos, fechou o diário, colocou em cima da escrivaninha e soltou o ar; pegou seu livro surrado favorito e sentou no chão... Lá ficou por horas a fio. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Tempo!

Hoje o ponteiro do relógio passa devagar
Lento, lendo, apreciando
O que vemos de bom?
Algo doce, algo amargo,
de todos os gostos,
para amantes de vários sabores...
Olho para o relógio e vejo
Já são quatro da tarde 
Quando você disse "hoje eu chego"?
Me perdi no tempo,
me perdi na saudade, 
na lembrança do seu sorriso...
Já perdi os movimentos 
daquela dança,
extraordinária balança!
Em qual capítulo da vida 
nos desequilibramos?
Quero ler outra história,
viver outra vida
cheia de euforia!
Mas pra que tanta alegoria?
Apenas se desapegue de tantos segredos,
crie vários enredos,
sem medo. 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

À vocês todos os sonhos do mundo!

Hoje é o último dia do ano, do ano mais singular da minha vida. Não sei descrever quantos sentimentos únicos e repetidos eu tive ao longo dos meses, mas uma coisa eu sei: eu aprendi infinitas coisas. Coisas boas, pessoas maravilhosas, coisas ruins e pessoas que eu desejaria nunca ter conhecido, mas agradeço por tudo, por cada sorriso, cada lágrima, dor, nervoso, por cada pensamento - bons e ruins -, cada briga, risada, bebedeira e doidera. Agradeço à todos que passaram pela minha vida, aos que ficaram e aos que, feliz ou infelizmente, não estão mais nela. Certas coisas na vida precisam ser rompidas.
Não posso dizer que sentirei falta desse ano, tampouco que passaria tudo de novo. As coisas não acontecem por acaso, não sei se é coisa do destino, de Deus ou, até mesmo, da sorte, mas sei que tudo na vida é por algum motivo, aprendi isso nesses 18 anos de vida. 
A vida é feita de chegadas e despedidas, começos e fins, e é nesse enlaço que conhecemos sentimentos, pessoas, vibrações e energias diferentes. Me disseram que minha vida esse ano seria diferente, mas não achei que seria tão ímpar. Deixei um mundo velho, um passado não muito distante, pra viver em um mundo completamente individual, onde aprendi a pesar e equilibrar muitas coisas, conheci muito da personalidade de muitas pessoas e até da personalidade da vida, de como ela é e de como ela nos trata quando fazemos algo certo ou errado. Não posso dizer que já conheci tudo desse meu novo mundo e da minha mais nova cidade, mas posso dizer que quero, que anseio por novas experiências, por novos sentimentos e, por fim, por novas pessoas. 
Que venha 2014, que venha mais um novo ano e que não só o ano seja novo, que eu me renove, que todos se tornem incomparáveis e que a vida traga muitas felicidades, amor, desafios e oportunidades. Um maravilhoso ano para todos! 


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Tabacaria - Fernando Pessoa

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Infinito particular...


Ouvi dizer que você é diferente, fui checar e percebi que é verdade. Você gosta de sushi e eu gosto do repertório todo de Marisa Monte, acho que seria uma boa trilha sonora para um jantar a dois. Você gosta de música clássica e eu prefiro os clássicos literários, me chame de antiquada. Você odeia ficar com fome e eu odeio não dormir depois de uma boa dose de sexo. Falando em dose, você adora cerveja de trigo e eu prefiro os destilados, nada melhor que uma deliciosa tequila, com sal e limão. Não gosto de companhias ácidas, você adora pessoas doces. Sei que o olhar de uma pessoa pra você é essencial e eu, puramente fútil, já neguei alguém por ter as mãos feias, graças ao meu enorme fetiche por mãos. Você adora o mar e eu não viveria um dia sem poder olhar a lua. Você não consegue ser feliz sem ler uma boa poesia ao longo do dia e eu não seria feliz se não pudesse escrevê-las, aspirante a escritora. Eu amo sorrisos e você ama fazer alguém rir com torturantes cócegas. Você sempre levanta cedo pra aproveitar o dia e eu sempre adio o despertador pra ficar mais cinco minutos na cama. Você aprecia um exuberante banquete feito em casa e eu me deleito em fazê-lo. Você vive tendo sintomas de saudade e eu vivo fazendo o impossível para curá-los, não quero dor. Você olha o relógio o tempo todo e eu quero mais é que o tempo voe. Você odeia quando te chamam de velho, eu adoro poder viver e envelhecer. Você acha vulgar mulheres de esmalte vermelho, eu não consigo não usar batom vermelho. Você ama o frio, eu amo o inverno. Você não acredita no amor, eu já sofri por ele. Você não gosta de não entender algumas coisas e quanto menos eu entendo, mais feliz eu sou. Você adora pele, eu adoro tatuagens. Você não sabe dançar, eu danço durante a noite toda e pra sempre, se eu pudesse. Você gosta de boas amizades, eu sou chegada em bons amores. Você gosta de amantes, eu prefiro amados. Você admira o pôr do sol, eu sou louca pelo céu estrelado. Você não perde uma boa piada, eu não perco um bom abraço. Você adora fotografia, eu não vivo sem minhas memórias. Você não faz o tipo romântico, eu sou à moda antiga, com rosas e declarações. Você já abandonou alguém no altar, eu não quero chegar lá tão cedo. Você adora terno e gravata, eu adoro jeans e all star. Estou começando a gostar de você e você, por sorte, prefere as morenas. Vamos tomar alguma coisa em um bar? Por que sei que você prefere ir ao bar, do que em um restaurante. Lá tem cerveja de trigo e tequila, podemos fazer um combinado. Você coloca essa sua mão maravilhosa na minha e não solta mais, posso escrever uma poesia pra você no gardanapo do bar se você prometer não ler nenhuma durante o dia e prometo ser doce, sem batom e esmalte vermelho, mas só se você mudar a forma de me fazer rir, porque não gosto de cócegas. Vamos afogar nossa solidão em um copo e adiar o relógio mais meia hora no dia seguinte? Quero te preparar um bom café da manhã e ganhar um beijo ao acordar. Não quero viver um amor agora, mas podemos ser amantes, amados. Estamos vivendo e estamos só de passagem nessa vida curta, não vamos tentar entender o que se passa. Vê se não demora, te espero às sete. Quero te apresentar meu infinito particular, só não se perca.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Não venha me dizer, meu bem...

Não venha me dizer que sua mente está conturbada, que seus sorrisos estão apagados e que seu coração está dilacerado. Por favor, não venha me dizer que seus dias estão passando rápido, que suas noites têm sido uma tormenta e que seus olhos vivem molhados. Ah, e também não venha me dizer que você não consegue viver sem mim, que você mudou, que você não está feliz e que você anda absolutamente submersa na solidão, na escuridão. Não, não, não, meu bem. Eu sei que são só mentiras, mentiras contadas em palavras vãs, mentiras contadas de um coração vazio, mas não vazio por minha total e honrável culpa, mentiras contadas de uma mente nostálgica, inerte, apática e estagnada. Estagnada em um passado em que o ar já não é mais o mesmo, as estações já não são mais as mesmas, os gostos, os cheiros, as lembranças e as situações não são mais as mesmas, tampouco eu, você e nós. Já não existe mais nós, será que algum dia existiu? Fantasia, um mundo onde podemos criar situações que vão do completo caos à plena felicidade. E eu, particularmente, não quero viver fantasias, mentiras e desordem. Não quero viver uma miserável maldição, um sofrimento deveras desnecessário. Então, mais uma vez e da maneira mais afável que posso dizer, não me procure mais para dizer mentiras, para dizer parafernálias, para me mostrar uma ilusão de uma vida que você não está vivendo, porque, bem no íntimo dos meus pensamentos, sei qual é a vida que você está levando. A única coisa que desejo, no mais profundo do meu coração e da minha verdade, é que daqui cinquenta anos você não me esqueça, não se esqueça da pessoa que mais te amou; eu poderia falar aqui das mil coisas que fiz por você e das outras mil em que fui única para você também não esquecer, mas não, prefiro que não se esqueça do essencial. E se Deus quiser e o destino conspirar a nosso favor, assim será. Se cuida daí que eu me cuido daqui a partir de agora.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Junção de corpos.



O cheiro do seu perfume ainda está recente, impregnado em meus cabelos bagunçados, em minha roupa que você tirou tão bravamente, em meu corpo que você possuiu de uma forma tão deliciosa e extraordinária, em meu travesseiro está nosso suor e seu sinal de prazer ainda está dentro de mim. Não sei você, mas ainda sinto seu beijo, sua necessidade. 
E agora a única coisa que sei fazer é escrever, escrever até meus dedos pegarem fogo de tão frenéticos, assim como nós dois fomos frenéticos. Essa tortura de pensar, de lembrar, de desejar já não cabe mais em mim, quero esganar e ao mesmo tempo afagar todos esses sentimentos. Como eu hei de saber se essa aventura não se tornará uma terrível paixão? Não vai se tornar. Você foi apenas mais um, um desejado e presunçoso caso de amor por uma noite. E é assim que deve ser. 
Assim termino escrevendo mais um texto, mas dessa vez não é de amor. É somente um texto sobre prazer, com um leve toque de excitação e de junção de corpos. Te levarei uma xícara de café, um cigarro, meu corpo e um beijo, quem sabe isso não acaba em mais uma noite de satisfações realizadas. Me aguarde, em breve estarei de volta. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Pseudônimo.

"Eu sei que você achará alguém, se é que já não achou. Sei também que ficará com alguém em breve, se é que já não ficou. Não estou falando isso por falta de confiança não, mas pelo simples fato de saber quão carente você é. Bons tempos quando eu supria sua carência, mas já não é mais assim. Espero, do fundo do meu coração, que essa nova pessoa te traga felicidade, que ela te faça esquecer de mim logo e que, de todas as coisas do mundo, ela te dê muito amor. E que, de todas as coisas que tivemos, você dê a ela tudo que me faltou, tudo que você não me deu e que ela te dê tudo que eu não pude dar. Que você a ame, que você lute incondicionalmente por ela, que você assuma ela e a relação de vocês, que você ande de mãos dadas com ela, que você a beije na frente do mundo, que você não tenha medo das pessoas e de seus julgamentos, que você seja corajosa de querê-la a todo momento, que você saia com ela para onde ela quiser, para onde vocês quiserem, sempre juntas, que você aceite a opinião dela e qualquer ajuda que ela possa lhe oferecer, que vocês não briguem, que você seja menos teimosa, birrenta, chata, insuportável, imatura com ela, que vocês possam assistir um filme juntas, deitadas no sofá da sala, agarradinhas, comendo chocolate em meio aos beijos, que você possa se divertir mais do que brigar com ela, que você aceite ela e todos os defeitos dela, que você tente ajudá-la a qualquer momento, que você sempre esteja lá pra ela quando ela precisar. Mas por favor, faça tudo isso antes de perdê-la. Encontre alguém que te ame e te queira, não como eu te amei e te quis - e ainda amo e quero muito - por que isso é impossível, e seja corajosa pra amá-la e querê-la de volta. Não esqueça que eu quero sua felicidade e sei que irá consegui-la em muito breve. Você está rodeada de pessoas que te querem, querem seu corpo e tudo que envolva você e sei, inclusive, que uma pessoa em especial está ao seu lado querendo isso. Dê uma chance a ela, se é que já não deu. Corra atrás da sua felicidade."
Assinou com seu pseudônimo que somente ela sabia, selou a carta e levou, no dia seguinte, ao correio. Sabia que quando chegasse lá, ela já teria esquecido tudo que escreveu. Era melhor assim, um desabafo breve, pra uma mente conturbada e sem memórias recentes.