"É claro, também, pelo que lá atrás ficou dito, que nada dura para sempre. Nada vai te satisfazer mais do que a auto-felicidade, que consiste na simples propriedade de nós mesmos nos fazermos felizes.
Mas, por gentileza, não se engane, há uma coisa que também consegue nos fazer feliz, uma coisa clichê, mas que, na minha mera opinião de poetisa, também pode ser chamada de dom e, como qualquer outro dom, não são todas as pessoas que nascem com ele. Não é tão fácil amar, amor! Nem todo mundo sabe fazer bom uso de seus dons, nem todo mundo sabe lidar com eles. Quem não sabe, sofre e faz sofrer. E isto é quase um insulto, já que ninguém admite que sofre e ninguém sabe que faz sofrer.
Fora isso, se você soubesse o sabor doce que o amor tem, amaria por toda a vida! Não só o amor fraterno, materno, paterno, não. É um amor diferente. É um amor pelo sorriso, pelo olhar, pelos trejeitos, pelas qualidades e defeitos, pelo modo de andar, de falar, de demonstrar. Não necessariamente por uma pessoa, mas quando isso acontece... Ah! Todos sabem quando isso acontece. Basta observar só um pouquinho, só de te ver em qualquer lugar, todos saberão que você está apaixonada. Todos saberão que você encontrou alguém para aquecer seu coração e nem precisa ser recíproco, só de saber que está lá, que existe, que se ama, o inverno nunca será tão esperado apesar de ser tão frio... Você sabe que a vida e aquele sentimento tão adocicado estarão lá para tornar tudo mais afável.
Há uma linha tênue, sublime, entre o caos e a ordem que o amor causa dentro da gente e a tendência não é acalmar, não... É só multiplicar, ele vai crescer e vai crescer com um entusiamo exagerado e uma paixão desenfreada."
Foi assim que eu consegui entender o amor. E, por fim, no embalo dessa noite fria de outono, ela terminou:
"Conforme-se, meu bem, se você ama! O amor faz parte das coisas mais simplórias e como já dizia Ana: o amor ocupa o primeiro lugar da lista das causas perdidas."
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