segunda-feira, 21 de julho de 2014

Indas e vindas...


E então ela simplesmente desistiu, pegou o primeiro avião pra lugar nenhum e foi. Foi sem pensar, sem sentir, sem mais tentar. Seu coração já não aguentava mais.
Chegou no aeroporto e viu todas aquelas pessoas, correndo pra lá e pra cá, vivendo tão intensamente que até chegava a doer. Doía nos ossos, na pele, nos órgãos. Mas ela já não queria sentir dor. Então ela foi...
Cansou de textos de amor, de dor, tão pobres de cor. Cansou de tentar, simplesmente desistiu. Soube que depois daquela, as outras seriam insignificantes e os outros seriam só os outros. Cansou de pensar, de imaginar, de sonhar tantas vezes inutilmente.
Então ela acabou naquele bar caro de aeroportos e não queria olhar para os lados, sabia que ali nada havia, já não era mais seu ponto de encontro com aquela princesa que sonhou em possuir, sabia que ali havia apenas bebidas caras, corações vazios e mentes ocupadas. Ordenou ao garçom:
- A bebida mais cara e mais doce que você tiver, por favor. 
Ela sempre teve mais afeição por coisas doces, como bebidas e pessoas. Nunca fez questão das coisas caras e grandemente importantes, sabia encontrar nas coisas simples sua felicidade, quão clichê era isso?
Soube, a partir de então, que ela não era tão simples assim e foi toda aquela complexidade que a fascinou. Tão controversa! Por isso desistiu, soube que ela não estava preparada para sua tamanha simplicidade e doçura
tanto quanto ela estava preparada para a complexidade e imensidão dela.
Pegou o primeiro avião e partiu para outros encontros e mais desencontros! 

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