
Naquele início de primavera, ele começou a sentir o fim, não só o fim do inverno, do frio doloroso, da falta de calor no coração, mas também daquele amor, daquela sensação incrivelmente boa de ter pra quem ligar de madrugada e ouvir, daquela voz deliciosamente rouca, um "eu sabia que você ligaria, eu te amo" e o suspiro de quem voltou a dormir, o fim daquelas noites mágicas de amor, de sorrisos, de beijos e carinhos.
Ele pegou a chave do carro e foi atrás dela. A primavera está aí, fazendo tudo florescer, por que não ir atrás dela e fazer o amor dela voltar a florescer também? Ele queria ela de volta, ele sabia que ela também o queria de volta... E ele foi.
Num breve suspiro, num breve adeus, ela o perdeu pra sempre. Ora, mas você não disse que eles se queriam um ao outro de volta? E que eles se amavam? Sim, não era mentira. Mas em um breve momento de insanidade, tudo aconteceu. O carro bateu, os sentimentos voaram, as lágrimas se encheram de vida e transbordaram, encheram aquele carro de tristeza, melancolia, amor. E tudo se passou brevemente em um minuto... Sessenta segundos de pura dor, pura angústia, abertamente a seus olhos, ela viu. Sofreu, chorou, doeu, morreu. Aquela dor que não cabia mais em seus pensamentos, em seu coração, em sua própria razão, ela simplesmente colocou um fim. Acabou.
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