sábado, 13 de dezembro de 2014

Finalmente encontrei...

Ela não lembrava o número da casa, tampouco o bairro, só se lembrava da rua. Lembrava do sorriso dela dizendo o nome da sua rua e seu número de telefone, mas, por alguma razão que ela não sabia, ela não conseguia se lembrar do detalhe mais importante: o número da casa daquela menina tão linda. Sim, claro que ela sabia qual era a razão: enquanto ela dizia esse pequeno detalhe, ela já havia se perdido no seu sorriso e nos seus olhos cor de madeira brilhantes.
Aquelas ruas cheias de pedras, aquela igrejas descascadas e, para ela que não entendia nada a respeito, todas amarelas desbotadas, aqueles morros e toda aquela neblina.. Que cidade linda. Que vontade de sentar no muro de uma igreja qualquer e deitar no colo dela, olhar o céu e todas aquelas nuvens brancas com formatos de coisas engraçadas. Encarar aquele olhar tão incrível que por tanto tempo parecia intocável, impossível. Acontece que agora não é mais. Agora ela está aqui. 
Não.. Não está mais. Ela foi. Não por muito tempo, mas foi. E agora ela está tão longe quanto seu coração, que costumava bater bem juntinho ao meu. Ela não está mais aqui dormindo ao meu lado e me acordando com beijinhos, ela não está mais aqui pra eu cuidar, pra eu encarar, tirar sorrisos e amar. Tão pouco tempo. Por quê, né? 
Porque a vida é assim, ela é cheia de encantos, travessuras e perigos. Você é minha mais nova travessura e meu mais novo encanto, só que esse encanto não parece ter fim. Já foi um, logo menos será dois e daqui a pouco, anos. 
Não vejo a hora de ter ela de mãos dadas comigo novamente, de poder parar ela no meio da rua e gritar para o mundo, ou só pra essa cidade tão pequena e tão cheia de traços bonitos, o quanto ela é minha. Essa cidade antiga que guarda tantas histórias, que já foi berço de muitos contos e paixões, que já guardou muitas lágrimas e já resguardou muitos abraços. Nessa cidade que nós não gostamos tanto de estar, mas que achamos uma razão para ficar.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Circuito não tão fechado...

Repressão. Desejo. Oculto. Beijo. Um mês. Talvez. Paixão. Ela. Sorrisos. Abraços. Mais beijos. Olhos. Olhares. Mãos. Mares. Mais abraços. Detalhes. Castanhos. Azuis. Girassóis. Verão. Chuva. Estações. Outono. Noites longas. Margaridas. Carinho. Bonita. Canções. Sonhos. Mais talvez. Amor. Histórias. Conforto. Tranquilidade. Risadas. Gostosura. Fofura. Gordices. Cupackes. Trinta. Primeiro. Primeira. Cuidado. Atual. Objetivos. Juntas. Cama. Luz. Álcool. Especial. Incrível. Neném. Ela. Amor. Mais mãos. Mais sorrisos. Gestos. Atenção. Esquecer. Não. Sim. Talvez. Construção. Flores. Minha. Sua. Nós. Pequena. Pequenos. Objetos. Animais. Mais amor. Mais fofura. Tufinho de algodão. Ursinho pimpão. Leãozinho. Vermelho. Coruja. Coelho. Balu. Filmes. Vinho. Papéis. Orquestra. Viagens. Café. Sorvete. Igrejas. Cidades. Novo. Nova. Você. Eu. Anos? Talvez. Competir. Não se esqueça.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Quando a saudade fala, nós paramos para escutar.

Acordei com o braço adormecido por dormir tanto tempo na mesma posição, sem conseguir me mexer, assustada, procurando por você. Acordei e paralisei por alguns segundos para respirar, ouvir você suspirar e sentir a realidade. Realidade essa de te sentir perto, de sentir tua pele sob a minha, teu corpo ao lado do meu e tuas mãos tão ligadas às minhas, durante tua inconsciência. Tão difícil pra mim acreditar que você é real, que você realmente está deitada ao meu lado, depois de tanto tempo, depois de tanto te olhar e te desejar calada, te querer como um sopro em um dia de verão. Não sei se saberia te comparar às estações, mas talvez você seja como o outono pra mim, porque com você as noites são mais longas, nós nos consumimos de uma forma tão leve e tão simples, nos desenvolvemos e nos construímos. Talvez também pelas mudanças bruscas de humor que você me causa, essa loucura, ansiedade, vontade, felicidade, euforia. Me perdoa. Me perdoa por ser impulsiva, pelas minhas risadas altas e por ser tão criança. Me permite brincar com seu corpo, contar suas curvas, beijar suas covinhas, passar a mão pelas suas costas até você dormir, me permite pousar meus olhos nos seus e te olhar por horas a fio, enquanto ouvimos músicas gostosas e trocamos risadas e sorrisos bobos, lindos os seus. Não deixe de conversar comigo, de beijar minhas mãos, de passar seus dedos pelo meu rosto e, até mesmo, de ouvir o silêncio comigo. Não deixe de me avisar quando estiver vindo, para eu abrir o meu coração e te esperar no portão. Me perdoa a insistência, perdoa os meus olhos penetrantes que só querem te conhecer um pouco mais a cada dia, perdoa minha falta de atenção e minhas explosões, minhas palavras cuspidas sem pensar. Mas não deixe de nos permitir deitar na cama, beber um vinho e assistir um musical, um terror, um romance e até uma comédia. É difícil não me sufocar com as palavras, a ponto de não pronunciá-las, tendo em vista o quanto estou apaixonada por você. Chego a engasgar com o ar que prendo enquanto te deixo ir embora. Fica, fica aqui comigo. Eu fico também. Nós ficamos. Lembra do dia na chocolateria? Foi naquele dia que eu soube que me apaixonaria cada dia mais por você. E aqui estou. Só me dê alguns minutos, minha cabeça está girando. A saudade está começando a falar. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Seja bem vindo de volta!

"Você sumiu!" disse o Sr. Bernardo, o senhor da mercearia. "Sumi nada, seu Berna! To aqui todos os dias como sempre!" e dei um meio sorriso simpático. Forçado. "Que nada menina! Faz mais de semanas que você não aparece! Até andei preocupado...". Essa exclamação do seu Berna me deixou preocupada. Há quanto tempo eu não saio de casa? Dois dias? Talvez três, no máximo. Não, ele disse que era mais de semanas, ou seja, mais do que calculei. Meu Deus! O que eu estou fazendo?
Parei pra pensar no que havia feito nesse últimos dias. Onde eu me perdi? 
Lembrando da rotina que criei, só conseguia me lembrar de dormir, dormir por horas a fio. E escrever, tive um flash de páginas esvoaçando pelos corredores da casa. 
Comprei o que precisava e fui correndo para casa. Precisava achar essas páginas e saber o que havia feito.
Entrei em casa e tudo parecia um campo minado. Como eu havia deixado minha casa daquele jeito? Fui pegando os papéis, um a um, deu quase um livro. Será que eu consegui, finalmente, escrever meu tão ansiado livro depois de anos do último fracasso? Sentei na cama, abri o pote de sorvete e comecei a ler cada página que havia escrito.
Senti um gosto horrível na boca. Olhei o sabor do sorvete e o que poderia estar errado: creme de ameixas. Seu favorito. Até quando isso? Até quando viver nesse automático? Joguei o pote de sorvete dentro do congelador. Deitei cama e comecei a ler aquelas inúmeras páginas rabiscadas. 
Depois de horas, voltei ao meu mundo e de repente senti. Senti aquela pancada, aquela náusea, aquele gosto amargo na boca e o nó na garganta. Por quê sempre quando temos uma desilusão na vida a que mais dói é a amorosa? Não estava acreditando no que lia naquelas páginas. Afinal de contas, não conseguia acreditar no que tinha acontecido. No que havia feito da minha vida. Definitivamente, ela não voltaria, ela não tinha motivos pra isso. E não havia nada que eu pudesse fazer que a traria de volta. 
Acabei descobrindo por quanto tempo "me ausentei". 27 dias. Não sabia o que fazer. Não sabia como estava na faculdade, no trabalho, não sabia o paradeiro da minha gata. Olhei ao redor, seu pote de comida e água estavam vazios, a janela estava aberta com um cinzeiro em cima do parapeito atolado de cigarros: Malboro de filtro vermelho, porque ela não gostava de coisas fracas. Já não conseguia mais sentir seu perfume amadeirado, "de classe" como ela mesma definia. Parei de pensar.
Sai correndo pela porta em busca do meu último bem precioso. Precisava me sentir útil pra alguém, precisava cuidar de alguém e amar, finalmente, quem sempre me amou. Bee estava ali, com aqueles olhos amarelos enormes e brilhantes, ansiando pela minha volta. Física e espiritual. Peguei ela no colo, fiz um carinho e voltei para casa.
"Precisamos reorganizar nossa vida agora, neném. Ela não vai voltar pra te amar mais do que eu sempre amei. Nem pra te dar seu biscoito favorito. Somos só eu e você agora." Ela me afagou, soltou um miado e pulou do meu colo. Foi se afofar do outro lado da cama, do lado que sempre foi reservado. Eu olhei para minha casa e sabia que precisava viver. Esses 27 dias foram passivos demais.
Peguei um pedaço de papel ao acaso que estava jogado perto da cama e apenas li: "O amor é como o vício em heroína. Você sabe que aquilo vai te destruir e, ainda assim, se sente incontrolavelmente atraído!" 
Peguei tudo, fiz uma enorme junção de páginas desgovernadas e joguei dentro de uma caixa. Coloquei no fundo do armário, onde não procuraria tão cedo. Limpei a casa. Tomei um banho. Bem vinda de volta!  

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Indas e vindas...


E então ela simplesmente desistiu, pegou o primeiro avião pra lugar nenhum e foi. Foi sem pensar, sem sentir, sem mais tentar. Seu coração já não aguentava mais.
Chegou no aeroporto e viu todas aquelas pessoas, correndo pra lá e pra cá, vivendo tão intensamente que até chegava a doer. Doía nos ossos, na pele, nos órgãos. Mas ela já não queria sentir dor. Então ela foi...
Cansou de textos de amor, de dor, tão pobres de cor. Cansou de tentar, simplesmente desistiu. Soube que depois daquela, as outras seriam insignificantes e os outros seriam só os outros. Cansou de pensar, de imaginar, de sonhar tantas vezes inutilmente.
Então ela acabou naquele bar caro de aeroportos e não queria olhar para os lados, sabia que ali nada havia, já não era mais seu ponto de encontro com aquela princesa que sonhou em possuir, sabia que ali havia apenas bebidas caras, corações vazios e mentes ocupadas. Ordenou ao garçom:
- A bebida mais cara e mais doce que você tiver, por favor. 
Ela sempre teve mais afeição por coisas doces, como bebidas e pessoas. Nunca fez questão das coisas caras e grandemente importantes, sabia encontrar nas coisas simples sua felicidade, quão clichê era isso?
Soube, a partir de então, que ela não era tão simples assim e foi toda aquela complexidade que a fascinou. Tão controversa! Por isso desistiu, soube que ela não estava preparada para sua tamanha simplicidade e doçura
tanto quanto ela estava preparada para a complexidade e imensidão dela.
Pegou o primeiro avião e partiu para outros encontros e mais desencontros! 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Causa perdida

"É claro, também, pelo que lá atrás ficou dito, que nada dura para sempre. Nada vai te satisfazer mais do que a auto-felicidade, que consiste na simples propriedade de nós mesmos nos fazermos felizes. 

Mas, por gentileza, não se engane, há uma coisa que também consegue nos fazer feliz, uma coisa clichê, mas que, na minha mera opinião de poetisa, também pode ser chamada de dom e, como qualquer outro dom, não são todas as pessoas que nascem com ele. Não é tão fácil amar, amor! Nem todo mundo sabe fazer bom uso de seus dons, nem todo mundo sabe lidar com eles. Quem não sabe, sofre e faz sofrer. E isto é quase um insulto, já que ninguém admite que sofre e ninguém sabe que faz sofrer. 

Fora isso, se você soubesse o sabor doce que o amor tem, amaria por toda a vida! Não só o amor fraterno, materno, paterno, não. É um amor diferente. É um amor pelo sorriso, pelo olhar, pelos trejeitos, pelas qualidades e defeitos, pelo modo de andar, de falar, de demonstrar. Não necessariamente por uma pessoa, mas quando isso acontece... Ah! Todos sabem quando isso acontece. Basta observar só um pouquinho, só de te ver em qualquer lugar, todos saberão que você está apaixonada. Todos saberão que você encontrou alguém para aquecer seu coração e nem precisa ser recíproco, só de saber que está lá, que existe, que se ama, o inverno nunca será tão esperado apesar de ser tão frio... Você sabe que a vida e aquele sentimento tão adocicado estarão lá para tornar tudo mais afável.

Há uma linha tênue, sublime, entre o caos e a ordem que o amor causa dentro da gente e a tendência não é acalmar, não... É só multiplicar, ele vai crescer e vai crescer com um entusiamo exagerado e uma paixão desenfreada."
Foi assim que eu consegui entender o amor. E, por fim, no embalo dessa noite fria de outono, ela terminou: 

"Conforme-se, meu bem, se você ama! O amor faz parte das coisas mais simplórias e como já dizia Ana: o amor ocupa o primeiro lugar da lista das causas perdidas."

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Fugindo da rotina...

Ela sai do trabalho, passa no mercado, compra seu suco favorito, um chocolate, para ver se ainda há um certo doce no tempo, e pega o caminho de casa. Vai pensando em tudo que vem acontecendo nos últimos dias, tudo tão confuso, tão inquieto e tão complicado. Não consegue mais distinguir seus sentimentos, sua razão, não consegue mais controlar seus impulsos, o que antes estava sob rédeas, já havia perdido as estribeiras. 
Chega em casa, toma um banho para acalmar os ânimos, olha para a cama, para o sofá e pensa "O único dilema que poderíamos ter na vida é entre deitar na cama e tirar um cochilo ou simplesmente sentar no sofá, tomar um café e escrever...", sendo assim, preparou um café forte, colocou o suco na geladeira, pegou seu chocolate, seu computador e foi para o sofá, sabia que precisava, que deveria, colocar todos aqueles sentimentos, indecisões, conflitos e um pouco da razão que lhe restava para fora.
Abriu o bloco de notas e começou a digitar tão freneticamente quanto as batidas do seu coração, quanto as batidas do coração dela, que havia escutado tão nitidamente na noite anterior. 
"Ainda parece um sonho, um confuso, intenso e nítido sonho, daqueles que você não quer acordar, daqueles que tem algo te puxando pra sanidade e você quer simplesmente ficar no inconsciente, observando, aproveitando, apenas curtindo. Não parece real quando você me chama pra dentro de você, claro, não no sentido literal, mas quando você me deixa saber mais sobre seus pensamentos e até sobre seus sentimentos. Isso deveria acontecer com mais frequência para eu conseguir lidar, para eu conseguir digerir e passar a acreditar mais. Não que eu não acredite em você, acredito demais nas coisas que me diz e por isso, quase sempre, não sei reagir a você. Talvez isso aconteça mutuamente, não sabemos como reagir uma a outra, só queremos seguir esse impulso, entende? Não, acho que já to perdendo a cabeça. Será que trocamos nossos papéis? Até outro dia eu era a impulsiva e você a racional, e como estamos agora? Talvez devêssemos..."
O telefone acendeu, era uma mensagem: "Acho que você deveria aparecer aqui na porta da sua casa."
O coração vibrou, seus olhos encheram de lágrimas e ela simplesmente não sabia o que fazer. Olhou para a tela do computador, tentou pensar em qualquer outra palavra pra continuar aquele texto e não havia nada, em branco, tudo simplesmente se esvaiu. 
Ela fechou o computador, prendeu e soltou o cabelo umas cinco vezes, se olhou no espelho, viu aqueles olhinhos brilhando e disse pra si mesma "Deixa desandar, quem sabe assim você encontra seu caminho, boba...", foi correndo até a porta e sabia que, naquela tarde, ela seria tão feliz quanto na noite de ontem.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Limpando a alma...

Não sei você,
Mas ainda estou
Te amando!
Bem de longe,
Bem de perto,
Bem intenso...
Não sei a sua,
Mas a minha vida
Tem me ensinado
Coisas bem bonitas,
Loucuras, metas,
Sombras e rocks...
Tem sido bem,
como posso lhe dizer,
Volátil?
Talvez até inconstante,
Mas sempre
limpando a alma!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Receitas de amor...



Oh morena dos cabelos cacheados,

Vem me ver!
Vem fazer o que sabemos
fazer de melhor:
Cozinhar amor!
Uma pitadinha de sal,
um punhado de pimenta e
sete colheres de muita
Paixão!
Vem, podemos arrumar 
uns raminhos de hortelã e
fazer um chá,
deitar no sofá e
nos deixar levá...

quarta-feira, 5 de março de 2014

É na escuridão da noite...


"Olhei pra todos os lados e não vi. A única pessoa que via era aquela que eu não queria ver, aquela que só me fez mal, aquela que sempre me afetou - de um jeito, ou de outro -, aquela com qual a minha relação é estreitamente de amor e ódio, onde há uma linha tênue entre a razão e a emoção. Será que ela tem razão ou eu que sou emocional demais? Que ela me afetou, é fato, mas não foi de uma maneira boa, afável. Ela me afeta de uma maneira ruim, de tal forma que faz com que minha consciência pese dez toneladas e minhas pernas cheguem a tremer. Não sei dizer o que é isso, se são as coisas ruins pelas quais passamos ou se são as coisas horríveis pelas quais ela já me fez passar... A única coisa que eu sei é que eu a amo, infelizmente. Sim, infelizmente e com toda dor no coração, eu digo que a amo. Como não amá-la? Tenho apenas um motivo para isso, porque os outros são motivos para eu me deleitar em lágrimas e querer fazer besteiras. Mas sei que não devo, que não posso... Que não consigo.
Não estou escrevendo isso para expor sentimentos, não... Estou escrevendo isso porque não tenho ninguém no momento. Queria estar com outra pessoa agora, trocando beijos e carinhos, mas essa outra pessoa nem ao menos me considera. Uma coisa acarreta outra, e já são tantas, que não sei mais como tudo isso virou... Isso tudo. Minha cabeça está fervendo, meus olhos sangrando de tantas lágrimas derramadas, meus pulmões já não lembram do ar que eu supostamente deveria respirar e meu coração já não se aguenta mais de tantos soluços. Na verdade, tudo isso metaforicamente, porque não estou mais conseguindo chorar, nem dormir. Tenho medo. Medo de não parar mais, medo de alguma coisa acontecer e eu ter mais motivos para chorar, medo da escuridão, medo da solidão. 
O que mais me dói é que, supostamente, existe alguém nesse mundo que daria tudo pra estar comigo agora, por pior que ela já tenha me feito. E acho que esse alguém merece mais minha companhia do que essa cama vazia e esse quarto frio. 
Sei que alguém irá ler isso em breve e peço, encarecidamente, que guarde tudo isso em segredo. Não quero que outras pessoas saibam quão fraca eu sou. Sei que já aguentei muitas coisas, mas já são tantas coisas acumuladas no meu coração, na minha cabeça, que eu não sei mais como me livrar de tudo isso. 
Viver parece tão fácil. Poderia ser muito fácil, mas tem gente que simplesmente nã
o consegue viver bem, ficar bem, ser feliz. Isso machuca tanto meu coração. As vezes penso que sou uma pessoa ruim demais pra viver nesse mundo, mas será?
Acho que estou entrando em ebulição. 
Meus olhos estão tentando se fechar e eu não posso deixá-los fechar, tenho medo. Estou com sono, preciso dormir, meu corpo dói e está cansado, mas não posso deixá-lo descansar. Tenho que ficar acordada, tenho que esperar esses barulhos passarem, esses pensamentos me deixarem, a luz do sol sair, os pássaros começarem a cantar. Tenho medo, muito medo. Não queria sentir isso, não queria estar aqui sozinha.
Queria conseguir chorar pra aliviar todos esses sentimentos que estou sentindo agora, mas sei que não adiantaria. 
Não quero ser essa pessoa que eu mesma estou criando na minha cabeça. Eu preciso mudar. Preciso me libertar! Mas como? 
Dói. Dói demais. 
Estou com tanto medo essa noite. Não conseguirei dormir, então acho que irei arrumar algo pra fazer. Vou tentar ler um livro. Talvez eu volte. Talvez não." 
- Ela voltou o olhar para o espelho e encarou aqueles olhos pretos profundos, fechou o diário, colocou em cima da escrivaninha e soltou o ar; pegou seu livro surrado favorito e sentou no chão... Lá ficou por horas a fio. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Tempo!

Hoje o ponteiro do relógio passa devagar
Lento, lendo, apreciando
O que vemos de bom?
Algo doce, algo amargo,
de todos os gostos,
para amantes de vários sabores...
Olho para o relógio e vejo
Já são quatro da tarde 
Quando você disse "hoje eu chego"?
Me perdi no tempo,
me perdi na saudade, 
na lembrança do seu sorriso...
Já perdi os movimentos 
daquela dança,
extraordinária balança!
Em qual capítulo da vida 
nos desequilibramos?
Quero ler outra história,
viver outra vida
cheia de euforia!
Mas pra que tanta alegoria?
Apenas se desapegue de tantos segredos,
crie vários enredos,
sem medo. 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

À vocês todos os sonhos do mundo!

Hoje é o último dia do ano, do ano mais singular da minha vida. Não sei descrever quantos sentimentos únicos e repetidos eu tive ao longo dos meses, mas uma coisa eu sei: eu aprendi infinitas coisas. Coisas boas, pessoas maravilhosas, coisas ruins e pessoas que eu desejaria nunca ter conhecido, mas agradeço por tudo, por cada sorriso, cada lágrima, dor, nervoso, por cada pensamento - bons e ruins -, cada briga, risada, bebedeira e doidera. Agradeço à todos que passaram pela minha vida, aos que ficaram e aos que, feliz ou infelizmente, não estão mais nela. Certas coisas na vida precisam ser rompidas.
Não posso dizer que sentirei falta desse ano, tampouco que passaria tudo de novo. As coisas não acontecem por acaso, não sei se é coisa do destino, de Deus ou, até mesmo, da sorte, mas sei que tudo na vida é por algum motivo, aprendi isso nesses 18 anos de vida. 
A vida é feita de chegadas e despedidas, começos e fins, e é nesse enlaço que conhecemos sentimentos, pessoas, vibrações e energias diferentes. Me disseram que minha vida esse ano seria diferente, mas não achei que seria tão ímpar. Deixei um mundo velho, um passado não muito distante, pra viver em um mundo completamente individual, onde aprendi a pesar e equilibrar muitas coisas, conheci muito da personalidade de muitas pessoas e até da personalidade da vida, de como ela é e de como ela nos trata quando fazemos algo certo ou errado. Não posso dizer que já conheci tudo desse meu novo mundo e da minha mais nova cidade, mas posso dizer que quero, que anseio por novas experiências, por novos sentimentos e, por fim, por novas pessoas. 
Que venha 2014, que venha mais um novo ano e que não só o ano seja novo, que eu me renove, que todos se tornem incomparáveis e que a vida traga muitas felicidades, amor, desafios e oportunidades. Um maravilhoso ano para todos! 


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Tabacaria - Fernando Pessoa

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Infinito particular...


Ouvi dizer que você é diferente, fui checar e percebi que é verdade. Você gosta de sushi e eu gosto do repertório todo de Marisa Monte, acho que seria uma boa trilha sonora para um jantar a dois. Você gosta de música clássica e eu prefiro os clássicos literários, me chame de antiquada. Você odeia ficar com fome e eu odeio não dormir depois de uma boa dose de sexo. Falando em dose, você adora cerveja de trigo e eu prefiro os destilados, nada melhor que uma deliciosa tequila, com sal e limão. Não gosto de companhias ácidas, você adora pessoas doces. Sei que o olhar de uma pessoa pra você é essencial e eu, puramente fútil, já neguei alguém por ter as mãos feias, graças ao meu enorme fetiche por mãos. Você adora o mar e eu não viveria um dia sem poder olhar a lua. Você não consegue ser feliz sem ler uma boa poesia ao longo do dia e eu não seria feliz se não pudesse escrevê-las, aspirante a escritora. Eu amo sorrisos e você ama fazer alguém rir com torturantes cócegas. Você sempre levanta cedo pra aproveitar o dia e eu sempre adio o despertador pra ficar mais cinco minutos na cama. Você aprecia um exuberante banquete feito em casa e eu me deleito em fazê-lo. Você vive tendo sintomas de saudade e eu vivo fazendo o impossível para curá-los, não quero dor. Você olha o relógio o tempo todo e eu quero mais é que o tempo voe. Você odeia quando te chamam de velho, eu adoro poder viver e envelhecer. Você acha vulgar mulheres de esmalte vermelho, eu não consigo não usar batom vermelho. Você ama o frio, eu amo o inverno. Você não acredita no amor, eu já sofri por ele. Você não gosta de não entender algumas coisas e quanto menos eu entendo, mais feliz eu sou. Você adora pele, eu adoro tatuagens. Você não sabe dançar, eu danço durante a noite toda e pra sempre, se eu pudesse. Você gosta de boas amizades, eu sou chegada em bons amores. Você gosta de amantes, eu prefiro amados. Você admira o pôr do sol, eu sou louca pelo céu estrelado. Você não perde uma boa piada, eu não perco um bom abraço. Você adora fotografia, eu não vivo sem minhas memórias. Você não faz o tipo romântico, eu sou à moda antiga, com rosas e declarações. Você já abandonou alguém no altar, eu não quero chegar lá tão cedo. Você adora terno e gravata, eu adoro jeans e all star. Estou começando a gostar de você e você, por sorte, prefere as morenas. Vamos tomar alguma coisa em um bar? Por que sei que você prefere ir ao bar, do que em um restaurante. Lá tem cerveja de trigo e tequila, podemos fazer um combinado. Você coloca essa sua mão maravilhosa na minha e não solta mais, posso escrever uma poesia pra você no gardanapo do bar se você prometer não ler nenhuma durante o dia e prometo ser doce, sem batom e esmalte vermelho, mas só se você mudar a forma de me fazer rir, porque não gosto de cócegas. Vamos afogar nossa solidão em um copo e adiar o relógio mais meia hora no dia seguinte? Quero te preparar um bom café da manhã e ganhar um beijo ao acordar. Não quero viver um amor agora, mas podemos ser amantes, amados. Estamos vivendo e estamos só de passagem nessa vida curta, não vamos tentar entender o que se passa. Vê se não demora, te espero às sete. Quero te apresentar meu infinito particular, só não se perca.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Não venha me dizer, meu bem...

Não venha me dizer que sua mente está conturbada, que seus sorrisos estão apagados e que seu coração está dilacerado. Por favor, não venha me dizer que seus dias estão passando rápido, que suas noites têm sido uma tormenta e que seus olhos vivem molhados. Ah, e também não venha me dizer que você não consegue viver sem mim, que você mudou, que você não está feliz e que você anda absolutamente submersa na solidão, na escuridão. Não, não, não, meu bem. Eu sei que são só mentiras, mentiras contadas em palavras vãs, mentiras contadas de um coração vazio, mas não vazio por minha total e honrável culpa, mentiras contadas de uma mente nostálgica, inerte, apática e estagnada. Estagnada em um passado em que o ar já não é mais o mesmo, as estações já não são mais as mesmas, os gostos, os cheiros, as lembranças e as situações não são mais as mesmas, tampouco eu, você e nós. Já não existe mais nós, será que algum dia existiu? Fantasia, um mundo onde podemos criar situações que vão do completo caos à plena felicidade. E eu, particularmente, não quero viver fantasias, mentiras e desordem. Não quero viver uma miserável maldição, um sofrimento deveras desnecessário. Então, mais uma vez e da maneira mais afável que posso dizer, não me procure mais para dizer mentiras, para dizer parafernálias, para me mostrar uma ilusão de uma vida que você não está vivendo, porque, bem no íntimo dos meus pensamentos, sei qual é a vida que você está levando. A única coisa que desejo, no mais profundo do meu coração e da minha verdade, é que daqui cinquenta anos você não me esqueça, não se esqueça da pessoa que mais te amou; eu poderia falar aqui das mil coisas que fiz por você e das outras mil em que fui única para você também não esquecer, mas não, prefiro que não se esqueça do essencial. E se Deus quiser e o destino conspirar a nosso favor, assim será. Se cuida daí que eu me cuido daqui a partir de agora.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Junção de corpos.



O cheiro do seu perfume ainda está recente, impregnado em meus cabelos bagunçados, em minha roupa que você tirou tão bravamente, em meu corpo que você possuiu de uma forma tão deliciosa e extraordinária, em meu travesseiro está nosso suor e seu sinal de prazer ainda está dentro de mim. Não sei você, mas ainda sinto seu beijo, sua necessidade. 
E agora a única coisa que sei fazer é escrever, escrever até meus dedos pegarem fogo de tão frenéticos, assim como nós dois fomos frenéticos. Essa tortura de pensar, de lembrar, de desejar já não cabe mais em mim, quero esganar e ao mesmo tempo afagar todos esses sentimentos. Como eu hei de saber se essa aventura não se tornará uma terrível paixão? Não vai se tornar. Você foi apenas mais um, um desejado e presunçoso caso de amor por uma noite. E é assim que deve ser. 
Assim termino escrevendo mais um texto, mas dessa vez não é de amor. É somente um texto sobre prazer, com um leve toque de excitação e de junção de corpos. Te levarei uma xícara de café, um cigarro, meu corpo e um beijo, quem sabe isso não acaba em mais uma noite de satisfações realizadas. Me aguarde, em breve estarei de volta. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Pseudônimo.

"Eu sei que você achará alguém, se é que já não achou. Sei também que ficará com alguém em breve, se é que já não ficou. Não estou falando isso por falta de confiança não, mas pelo simples fato de saber quão carente você é. Bons tempos quando eu supria sua carência, mas já não é mais assim. Espero, do fundo do meu coração, que essa nova pessoa te traga felicidade, que ela te faça esquecer de mim logo e que, de todas as coisas do mundo, ela te dê muito amor. E que, de todas as coisas que tivemos, você dê a ela tudo que me faltou, tudo que você não me deu e que ela te dê tudo que eu não pude dar. Que você a ame, que você lute incondicionalmente por ela, que você assuma ela e a relação de vocês, que você ande de mãos dadas com ela, que você a beije na frente do mundo, que você não tenha medo das pessoas e de seus julgamentos, que você seja corajosa de querê-la a todo momento, que você saia com ela para onde ela quiser, para onde vocês quiserem, sempre juntas, que você aceite a opinião dela e qualquer ajuda que ela possa lhe oferecer, que vocês não briguem, que você seja menos teimosa, birrenta, chata, insuportável, imatura com ela, que vocês possam assistir um filme juntas, deitadas no sofá da sala, agarradinhas, comendo chocolate em meio aos beijos, que você possa se divertir mais do que brigar com ela, que você aceite ela e todos os defeitos dela, que você tente ajudá-la a qualquer momento, que você sempre esteja lá pra ela quando ela precisar. Mas por favor, faça tudo isso antes de perdê-la. Encontre alguém que te ame e te queira, não como eu te amei e te quis - e ainda amo e quero muito - por que isso é impossível, e seja corajosa pra amá-la e querê-la de volta. Não esqueça que eu quero sua felicidade e sei que irá consegui-la em muito breve. Você está rodeada de pessoas que te querem, querem seu corpo e tudo que envolva você e sei, inclusive, que uma pessoa em especial está ao seu lado querendo isso. Dê uma chance a ela, se é que já não deu. Corra atrás da sua felicidade."
Assinou com seu pseudônimo que somente ela sabia, selou a carta e levou, no dia seguinte, ao correio. Sabia que quando chegasse lá, ela já teria esquecido tudo que escreveu. Era melhor assim, um desabafo breve, pra uma mente conturbada e sem memórias recentes. 

sábado, 26 de outubro de 2013

Pra toda regra, uma exceção.

Não é sempre que você vai encontrar alguém que te conheça tão intimamente bem, alguém que te aceite com tudo, com seus defeitos, com suas qualidades, com suas manias e chatices. Não é sempre que você vai achar alguém e que dará à ela a chave do seu coração e dos seus pensamentos. Mas pra toda regra, há uma exceção, e você é a minha. 
Foi numa madrugada de chuva, olhando pelos vidros da janela de casa, com você tocando minha música favorita no violão e me olhando com aquela feição que só você sabe fazer, que só você sabe como me conquistar, que eu percebi quão essencial você é pro meu coração, quão essencial se faz sua presença no meu mundo e o tanto que só você me conhece, tão íntimo e particular. 
Essa sensação de ter alguém, de ter uma pessoa que um dia foi completamente desconhecida e estranha, me faz pensar que as pessoas só te conhecem o tanto que conhecem, quando você se abre e se deixa ser conhecida, quando elas se importam e te cuidam, te cuidam tanto que isso se faz deveras inesquecível, e então você assume o risco e a responsabilidade de deixar alguém tão fora do contexto, se ajustar às suas linhas e ao seu contexto.
Você chegou, se ajustou à mim, se fez absurdamente importante, me conheceu como ninguém e agora? Agora você olha pra mim, me beija delicadamente e vamos voltar pra cama, o sol ainda não nasceu e o dia será longo, vamos dormir abraçadinhos e sentir que os dias serão felizes assim, a partir de agora. 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Lei do desapego.


Algumas coisas na vida deveriam tornar-se lei. Já existem várias leis desnecessárias, não é mesmo? O Brasil já não anda pra frente, então por que não criar uma lei que beneficiaria 2/3 da humanidade? Sim, essa lei do desapego, do "esquece, deixa pra lá". Existem coisas e pessoas que você precisa se desapegar, afinal, nada dura pra sempre. As pessoa mudam, as pessoas se cansam, as pessoas deixam de se importar e de cuidar e nutrir o amor que sente umas pelas outras... Algumas só nutrem amor por outras pessoas quando o benefício vem em cheio. E agora não estou falando de 2/3 da humanidade, estou falando dela como um todo.

Se desapeguem, não vale a pena correr atrás, não vale a pena sofrer por alguém, não vale a pena toda uma história, se tudo isso é em vão. E é sempre em vão, não é? As pessoas, de uma hora pra outra, esquecem quem você foi pra elas há uma semana, há alguns meses e até há anos, elas simplesmente olham pra você e já não te tratam mais como há cinco minutos... "Sim, esse mundo é cruel." O mundo é cruel? Não, você é cruel. Sim, você que está lendo isso e já não lembra mais das pessoas que eram apegadas a você, você que a cada segundo que passa muda de humor e de coração, você que de repente esquece de uma pessoa, só porque apareceu outra na sua vida... Pra todos vocês que são assim, e pra todas as pessoas que são apegadas às pessoas assim, parem! A vida é muito mais fácil de ser vivida do que muitos imaginam e a lei do desapego está aí, pra muita gente que comete o crime de se apegar. Crime! 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Apenas mais uma...

Então pego uma xícara cheia de café, sento no meu lugar favorito da sala e penso, repenso, escrevo. Coloco todos os meus sentimentos naquele pequeno pedaço de papel, como se aquilo fosse a única coisa que sei fazer verdadeiramente bem. E sim, é a única coisa que sei fazer muito bem. Olho para o vazio, para esse silêncio perturbador, dentro e fora de mim, e penso em como acreditei nas suas histórias, nas suas dores, nas nossa felicidade, nos seus problemas e até no seu amor. As vezes acho que fui uma tola, outras vezes acho que fui apenas mais uma apaixonada nesse mundo. E, de fato, não deixo de ser uma apaixonada, uma apaixonada submissa, apaixonada por você, por ele, por eles, por todas as pessoas que me conquistam, essas tais que me arrancam sorrisos facilmente, que me enchem de alegria internamente e que me deixam louca conjuntamente. Sou dessas bobas apaixonadas, sem freio, sem medo. Quero me apaixonar de novo, quero sentir aquelas borboletas no meu estômago que já não estão mais voando freneticamente, quero olhar para o vazio e para esse silêncio perturbador e sorrir, não chorar, sorrir de lembrar que alguém tem o meu coração e que eu, em um simples gesto fútil, o roubei desse alguém, quero ter a quem recorrer quando precisar de um abraço, um beijo, um carinho, muito amor. Mas não sei se quero mais você. Quero outro alguém, alguém novo pra dar paz pro meu coração, alguém novo pra me fazer sentir coisas novas. Somente alguém.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Volume volátil...


Volátil: sim, talvez seja essa a palavra que te define. Com essa música e esse volume mais alto que meus pensamentos, escrevo, descrevo, prescrevo. Não sei ao certo a data de hoje, talvez seja uma quarta-feira, em plena primavera, ou talvez uma sexta-feira, em pleno inverno, mas sei que o frio está corroendo e o volume estabilizando meus nervos, que antes, instáveis, estavam deixando-me deveras louca. Cadê ele? Cadê ela? Cadê você? Gostaria de saber. Vendo essas pessoas passarem, de lá pra cá, de cá pra lá, movimentando-se, divertindo-se, tornando-se homens, mulheres, mães, filhos, pais, filhas, amantes, imprudentes. Desperdiçando suas vidas com tão pouco, ou talvez até com muito, mas desperdiçando-as, será o certo?  Só sei que não o deixarei passar. Te quero aqui, comigo. Seja menos volátil, menos instável, menos imprudente. Se estabilize com o compasso do meu coração e siga o ritmo dos meus passos. Seremos felizes e você notará a diferença; a sutil diferença. Não estou pedindo um amor de estações, estou apenas pedindo um amor leve. Sei que amor não se pede, simplesmente se recebe, então me dê o seu, me dê todo seu amor, me deixe ser egoísta pela primeira vez , pelo resto de minha vida, e ter uma coisa que só a mim pertencerá: você.